PARCEIRO  
 

VAMOS PÔR A ADUA NO MAPA
Parecem longínquos os tempos em que as tarefas do quotidiano eram maioritariamente realizadas por homens e mulheres em comunidade e solidariedade, no sentido mais lato destes termos. Embora estes princípios tenham sido materializados em maior escala numas sociedades que outras, na generalidade, grande parte da evolução civilizacional tem sido feita à custa do “espiríto de entre-ajuda” presente nos indíviduos da espécie humana.
O conceito da “adua”, um bem (pastagem ou rebanho) comum gerido em cooperação, transporta-nos exactamente para essa realidade, infelizmente cada vez mais rara nos dias de hoje. De igual forma, um projecto de “envolvimento parental na escola” implica necessariamente que pais e filhos se envolvam em igual dedicação num objectivo comum.
Os objectivos pretendidos por esta iniciativa da ADC Moura, desenvolvida em colaboração com o CEAI, passam por “pôr a Adua no mapa”, dando a conhecer à população em geral a riqueza do património natural e cultural de Santo Aleixo da Restauração e da região envolvente. É neste sentido que surge a proposta de acções específicas a dois níveis.
Primeiro, é necessário que os mais jovens conheçam o património e as tradições que os rodeiam. Somente assim poderão dar-lhes a devida importância e contribuir para a sua preservação. E que melhores professores senão os protagonistas da sua própria história: os pais!
Segundo, é fundamental a valorização desse mesmo património através da implementação de medidas sustentáveis de planeamento e gestão que contribuam para a sua rentabilização e conservação a longo termo. O turismo de natureza através da dinamização de um percurso pedestre, por exemplo, é uma possibilidade muito interessante a explorar na Adua. Mas também é indispensável identificar e inverter os processos de degradação em curso.
Importa reconciliar a comunidade com a sua Adua para que não se perca uma particularidade cultural de valor inestimável, mas também é necessário reforçar a sua dimensão social e, eventualmente, económica, para que seja reconhecida a sua importância local.
Tal como sempre mandou a tradição de usufruto da Adua, a resposta a estes desafios implica o envolvimento de todos. É de crer que os benefícios deste modelo existiram no passado e que poderão vir a ser evidentes no futuro.


ROGÉRIO CANGARATO

[CEAI-CENTRO DE ESTUDOS DA AVIFAUNA IBÉRICA]

 

   

 
» voltar