PARCEIRO  
 

A PARTICIPAÇÃO E O ENVOLVIMENTO PARENTAL NAS ESCOLAS
As crianças são, sem sombra de dúvida, o nosso mais precioso valor. Elas são, numa visão não apenas poética, o património da humanidade por excelência. Um património que devemos preservar a todo o custo e, consequentemente, onde mais devemos investir.
É costume ouvir-se dizer que as crianças representam o futuro. Que são os homens e mulheres do amanhã. Aparentemente todos concordamos com esta ideia. No entanto parece que por vezes nos afastamos de tal verdade universal tratando esses pequenos homens e mulheres como simples ornamentos que cuidadosamente, é certo, se dispõem ao redor das aceleradas vidas da gente crescida, adornando e preenchendo-as coloridamente.
É neste sentido que devemos interrogar-nos acerca do que realmente queremos para o futuro. Qual o esforço que estamos dispostos a fazer para que as crianças se possam desenvolver em equilíbrio? De que forma poderemos, todos juntos, conquistar o futuro desejado?
Existem, concerteza, várias respostas possíveis para estas questões. Uma delas, o envolvimento parental nas escolas, assume aqui um papel de destaque. Se é em casa que as crianças aprendem grande parte dos conceitos e princípios que as orientam, é, sobretudo, na escola que os exercitam e desenvolvem. É, pois, no seio deste espaço de aprendizagem que focamos a nossa atenção – A Escola.
Como se sabe, a razão de investir no envolvimento dos pais na escola baseia-se em estudos desenvolvidos e que indicam que a aprendizagem dos alunos é mais significativa e realizada com maior sucesso quando se processa num ambiente em que professores e pais cooperam. Mas é importante salientar que esta cooperação em torno da aprendizagem dos alunos pode ter igualmente benefícios para os pais e professores. Os pais tendem a enriquecer a imagem dos filhos, a aumentar as expectativas face à escola, a adquirir novas competências educacionais melhorando as suas práticas educativas familiares e a estabelecer relações mais calorosas e participativas com a instituição escolar que os estimula como pessoas e cidadãos. Os professores quando se sentem apoiados e valorizados como pessoas e como profissionais reafirmam a sua capacidade de intervenção. Ao trabalhar com as famílias têm oportunidade de construir um conhecimento mais verdadeiro do aluno e de ultrapassar as imagens estereotipadas das famílias mais carenciadas. As escolas em que os professores cooperam com os pais, do ponto de vista organizacional, reflectem geralmente um clima aberto, caloroso e democrático, sendo capazes de gerir a diversidade da população escolar como um factor positivo.

 

O CASO DE DUAS ESCOLAS (MOURA E AMARELEJA)
Em cada uma das escolas as intervenções levadas a cabo durante o ano lectivo consubstanciaram-se em alterações concretas a diferentes níveis. Por um lado, o conjunto das actividades desenvolvidas, enquadradas na perspectiva da especificidade dos recursos territoriais, visou a aproximação da realidade sócio-económica da envolvente local e regional ao espaço escolar. Por outro lado, os instrumentos de sensibilização e formação utilizados assentaram em critérios de multi-disciplinaridade possibilitando aos alunos a identificação de áreas de interesse natural e a livre participação destes na construção dos seus saberes.
No âmbito do projecto de envolvimento parental as escolas intervencionadas sofreram alterações positivas e radicais que contribuíram para a melhoria significativa da sua qualidade ambiental e imagem. Um espaço agradável para trabalhar e para aprender, favorece o desempenho de uns e de outros. Favorece também a forma como a escola é percepcionada pela comunidade.
Outro dos resultados que podemos observar é o facto de que a escola passa a ser sentida pelos alunos como um espaço próprio onde de melhor grado permanecem mesmo fora dos tempos lectivos e de recreio.


JOSÉ NUNES

[TETRAFOLIUM]

 

   

 
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