| ESCOLA BÁSICA
DO 1º CICLO DE SAFARA
Estando a decorrer em Safara um projecto de intervenção
urbanística, no âmbito da Medida Agris, promovido pela ADCMoura
em parceria com a Câmara Municipal de Moura e a Junta de Freguesia
de Safara, fazia todo o sentido que o tema do Projecto em Safara fosse
o da arquitectura tradicional, sensibilizando pais, alunos, professores
e toda a comunidade para as virtudes e potencialidades da construção
em terra.
Este foi o mote de um conjunto de actividades delineadas em conjunto com
pais e professores e a que os alunos aderiram com entusiasmo.
De início, foi feito, na aldeia de Safara, um levantamento sobre
os diferentes tipos de construção tradicional e elementos
notáveis, sobre materiais e técnicas de construção
tradicional e sobre os saberes-fazer associados à construção
em terra, que se traduziu em relatórios, desenhos e outros trabalhos
realizados pelos alunos.
Passou-se em seguida para aquela que foi a actividade mais emblemática
e mais arrojada do Projecto: a construção de uma casa em
taipa no recreio da Escola para utilização dos alunos, com
a colaboração dos alunos e professores do curso de Mestre
de Construção Civil Tradicional ministrado na Escola Profissional
de Desenvolvimento Rural de Serpa. E chegada a altura todos ajudaram:
pais e outros familiares dos alunos, professores e vizinhos dispensaram
materiais tradicionais, os alunos ajudaram ao seu transporte e os pais
e os técnicos bateram as várias camadas de taipa para pôr
a obra de pé, em jornadas de trabalho que propiciaram momentos
de intenso convívio. Enquanto se construía a casa, professores,
alunos e alguns pais, sobretudo mães, visitaram por duas vezes
a Escola Profissional de Serpa, para conhecerem as instalações
e as obras existentes com a utilização de materiais tradicionais.
Com os alunos foram realizadas ainda sessões de pintura de azulejos
com representações de edificações de Safara
e montada uma exposição sobre a arquitectura em terra com
o título “O regresso à terra – redescobrindo
e reinventando Safara”.
Principal resultado de todo este trabalho: hoje temos uma comunidade mais
sensibilizada para a questão da arquitectura tradicional e da salvaguarda
do património construído da aldeia, com repercussões
evidentes, por exemplo, ao nível da adesão às propostas
de intervenção previstas no Projecto Agris. |
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