MARIA FIALHO GODINHO BORRALHO CABRITA
Professora

A ADUA: O REVISITAR DA MINHA INFÂNCIA
A ADCMoura propôs-nos o desafio; nós aceitámos trabalhar em conjunto: professores, alunos, pais e Associação.
A Adua fazia parte das minhas memórias de infância e o desafio de a conhecer melhor, pareceu-me apetecível.
Lembro-me do tempo em que ia com a minha tia, à tarde, buscar o leite. A ordenha era feita pelos donos das cabras e eu, miúda, achava tudo muito estranho. A “Coitada” para mim era longe e o caminho agreste, rochoso mas divertido. A leiteira de alumínio dançava e retinia o fecho que não fechava. Era o encontro das gentes de trabalho e de novidades enquanto as cabras não chegavam. Depois, o rebanho entrava no curral. Cada pessoa conhecia o seu animal e ele, complacente, deixava-se ordenhar. Voltávamos com a leiteira cheia, a mente aliviada e o leite de cabra que, obrigatoriamente, tinha de beber antes de me deitar.
O início do projecto foi o primeiro percurso de reconhecimento do terreno. Foram alguns dos meus alunos e pouco pais. Descobri locais que, apesar de viver em Santo Aleixo, só conhecia de nome: o Telheiro, a fonte do Milhão, as malhadas dos porcos, o poço do Ratão. Vimos fauna e flora que nunca tínhamos visto. Almoçámos no campo e convivemos. Os meus alunos gostaram. À tarde as pernas estavam cansadas (as cabras andam muito num só dia) mas felizes.
A ADCMoura comprou algumas cabrinhas e nós, professores e alunos, baptizámo-las à porta da escola. Depois fomos à Adua metê-las no curral à guarda do pastor e juntá-las com as outras do rebanho comunitário.

O passo seguinte foi um passeio à serra de Ossa para ver a sinalética de identificação de um percurso pedestre, com vista à marcação do nosso percurso da Adua. Foi mais um dia de agradável convívio e aprendizagem. Desta vez houve mais pais que nos acompanharam. Após este passeio, fizemos nova caminhada, com o objectivo de identificar melhor o percurso para os visitantes e para constar num roteiro turístico.
Penso que este projecto não se pode esgotar num ano lectivo, pois a semente foi lançada à terra e agora deve germinar, quer dizer, os alunos, professores e pais ficaram motivados e começam a perceber a importância do projecto. É preciso que as nossas crianças compreendam o interesse daquele espaço com características próprias, que conheçam as suas potencialidades, para que sejam elas a preservá-lo no futuro.
Eu, pessoalmente, agradeço a ADCMoura tudo o que aprendi com o projecto e acredito que, naquele espaço, com o envolvimento de toda a comunidade, se possa marcar um percurso pedestre com interesse, que contribua para o desenvolvimento local.
Aquele é um dos locais da minha memória, revisitado de novo, com outros objectivos, outros parceiros, noutra situação e à distância de alguns anos. Gostaria de o ver crescer em importância e dignidade.

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