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FERNANDO MOITAL
Associação Terras Dentro
CINEMA NA ESTRELA
De repente trocámos duas promessas. A menina da Estrela (uma dos
quatro alunos da escola toda da Estrela) prometera-me um desenho se eu
fizesse uma visita à escola. E eu, em troca, prometera levar lá
o “filme” onde os meninos da Estrela e da Póvoa eram
os protagonistas.
Final de Junho, quase dois meses depois, segue uma comitiva luso-italiana
(eu e uma amiga que fizera na Póvoa) até à aldeia
da Estrela. Perguntavamo-nos se por acaso não era o penúltimo
dia de vida daquela escola. E o paredão da barragem ali tão
perto. Os milhões gastos a dez, quinze quilómetros não
tinham sido suficientes para estancar (mais) um processo (irreversível?)
de despovoamento, de que o fecho de uma escola é o sinal mais evidente.
À volta de uns bolinhos com sabor a Itália, feitos pela
Paola, vimos e rimos com o filme feito dois meses antes durante as actividades
realizadas na Póvoa. Duas mães faziam-nos companhia.
Da minha pasta das tralhas puxei de um filme
que me entusiasmara tanto uns meses antes. Pedi mais uns minutos (recurso
cada vez mais escasso) para mostrar alguns excertos do filme. No final,
perguntei se havia por ali vontade de ver o filme. Que sim. Que viriam
num sábado à noite.
E nesse sábado de noite quente e esplanada surpreendentemente cheia
de crianças, mães, avós e outros amigos, visionámos
um filme que, apesar de Ser passado a 3.000 km e a cinco graus negativos,
é bem capaz de Ter muito a ver com a pequena escola da Estrela.
Tenho a impressão de que o Nicolas Philiber, o realizador do documentário/filme
Ser e Ter, feito numa escola primária de uma aldeia rural, algures
no meio de umas montanhas agrestes de França, gostaria de ter estado
connosco naquela noite bio-poética.
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