Fernando Inverno: mobiliário tradicional


About the project

por Filipe Sousa, publicado no jornal A Planície, 1-1-2003

O Fernando Inverno tem 27 anos e fez toda a sua vida em Moura, onde é mais conhecido por Perry. Começou a trabalhar bastante novo como carpinteiro na oficina de familiares, depois de ter tirado um curso de formação profissional nessa área. Dinâmico e perseverante, o Fernando sempre acalentou estabelecer-se por conta própria. Ao tomar contacto com o Microcrédito, viu chegado o momento de se aventurar e pôr os seus planos em marcha. A ideia do negócio consiste essencialmente na construção de peças de mobiliário de cariz rústico e tradicional, algumas com base em modelos antigos, a partir do emprego de madeiras de qualidade e de ferragens, e com recurso unicamente a pregos e cravos como elementos de junção. O empréstimo concedido permitiu-lhe adquirir uma máquina universal, ferramentas diversas e um stock de matéria-prima para as primeiras impressões. Segundo o Fernando, este é o tipo de negócio com pernas para andar e onde não há mãos a medir, como o atesta a sua já longa carteira de encomendas.

incentivo: microcrédito (Associação Nacional de Direito ao Crédito)

contactos:
Fernando Inverno
R. Esperança, 4 - 7860-072 Moura
T 965418760


O PRIMEIRO DA LISTA

por Paula Carvalho Silva, Microcrédito em Portugal - uma nova oportunidade, Millenium BCP Microcrédito, 2005

Farto de trabalhar para outros e ganhar pouco, Fernando torna-se o primeiro alentejano a solicitar o microcrédito, depois de pedir ajuda à ADCMoura. «Usei o dinheiro para comprar uma máquina universal e procurar um espaço para me instalar. Não tive problemas em arranjar cientes porque já trabalhava em carpintaria há muito tempo e toda a gente me conhecia», explica.
Em 2003 acabou de pagar o empréstimo de mil contos. «Foi uma grande ajuda para quem tinha um saco de asas com ferramentas, agora já ganhei asas sozinho e consigo ganhar a vida sem grandes problemas. Até comprei uma casa própria com a Célia em 2002, um ano antes de casarmos», diz com um sorriso. Fernando trabalha sobretudo em arranjos de casas, portas, cozinhas, entre outras coisas, e na recuperação de móveis. «Fazer móveis de raiz é raro porque a crise está aí e chega a todos», comenta.